Mancha e Gaviões declaram guerra após morte

 

Foto: Rubens Cavallari/Folhapress
Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

Trocas de farpas, ameaças, narrativas históricas, lembranças de assassinatos. Definitivamente, a morte do torcedor corintiano e integrante da Gaviões da Fiel Daniel Veloso na madrugada do último domingo (18) supostamente assassinado por torcedores palmeirenses deve acarretar em novos capítulos de rivalidade e violência gratuita.
Veloso, conhecido como Dan Jones foi morto a pauladas e golpes de barra de ferro, principalmente na cabeça, em uma praça de Itapevi, na Grande São Paulo, horas após a vitória do Palmeiras sobre o Corinthians por 2×0 pela 26° rodada do Campeonato Brasileiro.
Dois dias após o enterro do jovem de 22 anos, as duas torcidas decidiram, através das redes sociais e em notas oficiais, extravasar o ódio, o rancor e a sede de vingança que, desde 1988, delimitam os dias de jogos entre alviverdes e alvinegros.
Em um trecho da nota dos Gaviões, solta antes da Mancha Verde, os alvinegros chama o ataque de pilantragem, além de fazer diversas referências ao lema adotado recentemente pelos alviverdes, o “Somos torcida”, criado em 2013, após a morte de dois torcedores do Palmeiras em 2012 na avenida Inajar de Souza, na Freguesia do Ó, na zona norte da capital, a golpes de enxadas, barras de ferro e tiros vindos de armas de fogo.
“O caso foi praticado por aqueles “torcedores” que carregam nas suas faixas, bandeiras, bonés e camisetas a propaganda enganosa “SOMOS TORCIDA” com a imagem de proibição ao uso das armas”.

 

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

A resposta da Mancha veio pouco depois, com uma nota bem maior, em que cita diversos assassinados e emboscadas praticados por corintianos desde 1988. Um dos casos citados é a morte de Cléo Sóstenes Dantas da Silva, em 17 de outubro daquele ano. Cléo era presidente da Mancha e foi assassinado a tiros na entrada da sede da organizada, que a época ficava na rua Padre Antônio Tomás, via paralela à rua Turiassu, onde está localizado o estádio do Palmeiras. O assunto sempre tratado às escuras, veio à tona em meio a nova onda de violência e promessas de vingança.

NOTA GAVIÕES DA FIEL
“Somos Torcida” – quando o discurso não convém com a realidade
Na noite do último sábado (17/9) recebemos a notícia que um membro dos Gaviões da Fiel morreu após um ato covarde de torcedores rivais quando voltava para casa após o clássico contra o Palmeiras.
Como visto nos noticiários, o jovem estava com a namorada quando sete homens o cercaram para agredi-lo com barras de ferro. Sem ter como se defender, não resistiu às agressões e faleceu.
O caso foi praticado por aqueles “torcedores” que carregam nas suas faixas, bandeiras, bonés e camisetas a propaganda enganosa “SOMOS TORCIDA” com a imagem de proibição ao uso das armas.
Diante disso, deixamos aqui alguns questionamentos a todos, principalmente aqueles que compram e vestem a ideia. Afinal, o que eles quiseram passar com essa propaganda para as demais torcidas e também para a sociedade?
Quais as atitudes que você, membro desta torcida, deveria colocar em prática quando sua entidade coloca esta afirmação como lema?
Hoje, não só os torcedores organizados de todos os clubes, mas também a sociedade brasileira estão revoltados com a pilantragem (desculpem pelo termo) feita e assumida por eles à PM e divulgada na imprensa no início da semana.
Para que de fato o lema de uma torcida organizada saia do discurso e seja visto na prática, seus integrantes precisam cumprir com as atitudes esperadas.
Desta forma, sugerimos uma reflexão para aqueles que se intitulam SOMOS TORCIDA: O que é ser TORCIDA?
Caso a resposta seja diferente de tudo aquilo que nós, enquanto sociedade e torcedores organizados definimos ser, sugerimos que vocês parem com esse discurso e repensem o que são, pois da forma que estão praticando, não são dignos de carregar esse lema.
Por quê? Para nós, enquanto sociedade, pais e mães, filhos e filhas, torcedores dos clubes espalhados pelo Brasil, é inaceitável que fatos como o do último sábado continuem sendo vistos e praticados. Como já lido nos jornais, as confusões existem há muito tempo, mas atitudes covardes que levam um torcedor perder a vida sendo agredido por sete homens com barras de ferro e sem condições de se defender, não podemos tolerar. Esse fato é uma VERGONHA para todas torcidas organizadas do Brasil, pois o mínimo esperado do indivíduo em situações como essa é a sua hombridade e lealdade.
Temos muitos problemas para combater dentro do futebol. Se de fato existem para SER TORCIDA, que façam valer esse discurso na prática dentro e fora das arquibancadas. Mas se acham que não estão mais preparados para isso, fechem as portas para que não percamos mais vidas pelas ruas da cidade.
GAVIÕES DA FIEL TORCIDA
LEALDADE – HUMILDADE – PROCEDIMENTO

NOTA MANCHA VERDE
NOTA OFICIAL – SOMOS TORCIDA
Devido aos últimos fatos ocorridos após o clássico de sábado, deixamos bem claro que não compactuamos com emboscadas ou esquemas, principalmente tirando a vida de outras pessoas.
Caso seja provado o envolvimento de qualquer associado da nossa entidade com esse crime, tomaremos todas as medidas cabíveis contra essas pessoas, pois não aceitamos esse tipo de atitude partindo de nossos associados.
Agora, sobre a infeliz nota feita pela torcida rival sobre nossa entidade e nosso lema, SOMOS TORCIDA, nos surpreendeu.
Historicamente sabemos que vocês perderam a essência de torcida e chegaram ao fundo do poço com a diretoria atual.
Vejamos:
Para vocês o que é “Lealdade e Procedimento”, que são palavras que usam como lema?
“Lealdade e procedimento” é cometer o primeiro assassinato de torcida organizadas no Brasil contra um dos fundadores da Mancha, pelo fato de vocês não aceitarem que uma torcida com tão pouco tempo de vida tivesse chegado e tirado o espaço de vocês no cenário de torcida organizada aqui em São Paulo?
Podemos relembrar o jogo de futebol de salão em meados dos anos 80.
A “poderosa” torcida com líderes como Magrão, Clei, Dentinho, Jogador, Gordo e outros viram que a partida começou a virar. Basta ver o vídeo (Record transmitiu ao vivo) e aqueles moleques bateram de frente e na “mão” com os gaviões.
Depois disso, qual foi o “procedimento” de vocês?
Começaram as emboscadas pela parte dos que usam o termo “lealdade”.
– O tal Jogador e o Gordo tentaram pegar o nosso ex-presidente Cléo na estação Liberdade.
– Em um retorno de uma partida no Pacembu, ao chegarmos na Turiassú e dispersando o nosso pessoal, lá foram os “leais”com esqueminha e armados tentando fazer emboscada para o Cléo e alguns dos nossos que lá ainda estavam.
– Em 1988 dois ônibus da Mancha, após um clássico no Morumbi, cruzaram no Palácio dos Bandeirantes com 8 ônibus dos “fieis” e foi a maior vergonha, até então, em menor número e na mão. Descemos o Palácio do Governo arrastando geral. Não houve mortes, não houve covardia e muitos que tinham a tal “lealdade” correram, já quem ficou, apanhou.
– A resposta deles veio dias depois em outubro de 1988 com a emboscada e assassinato covarde do nosso presidente Cléo.
Ali não morreu apenas o Cléo… Morreu a ideologia de torcida dos que dizem ter Lealdade, Humildade e Procedimento.
Só que não seguimos a cartilha de vocês. Mantivemos a essência de torcida, afinal, Somos Torcida e sabe por que somos assim?
Somos Torcida por nunca termos deixado uma oposição se criar dentro da Mancha e seguimos a mesma ideologia desde 1983, diferente de vocês, que criaram um tal de Rua São Jorge dizendo ser pela ideologia e acabaram se vendendo para o “poder”.
Somos Torcida por nunca termos deixado alguém chegar ao poder da Mancha por conta de ter tirado a vida de algum associado de outras torcidas a tiros, nem por status, nem por cargo ou fama. (vide caso Munhoz, em 2005, onde seu atual presidente é acusado de atirar de longe, de cima para baixo, sem participar da briga).
Ser torcida pra vocês é fazer emboscada em Francisco Morato no dia de um Palmeiras x São Paulo tirando a vida de uma pessoa?
(Nesse caso a lei agiu e o assassino segue preso).
Ser torcida pra vocês é chegar em um dia de clássico no meio de uma praça, em São Miguel, onde é o ponto de encontro da Mancha e de conhecimento de todas as autoridades, disparando tiros de longe com a participação da diretoria de vocês?
Ser torcida pra vocês é esperar uma “quebrada” próximo a estação Marechal Deodoro após um jogo do Palmeiras no Pacaembu contra um time do interior, e dar ataque com barra de ferro com a participação da diretoria de vocês?
Ser torcida pra vocês é juntar duas torcidas e ficar com barras de ferro dentro de uma estação em frente uma sub-sede (ABC) com a participação da diretoria de vocês?
Ser torcida pra vocês é fazer um esquema na Marginal Tietê contra uma torcida aliada nossa, tomando uma invertida e levando associado a morte com a participação da diretoria de vocês?
Inclusive, foi essa mesma torcida aliada nossa que vocês encontraram 20 contra 2 no aeroporto, em Natal, e tentaram pegar os caras. Isso é ser torcida?
Acreditamos que esse marketing não funcione nem com associados de vocês, sabe por que? Os associados e, principalmente, os mais antigos sabem da história e que são dirigidos pela diretoria mais covarde que já existiu dentro dos gaviões.
A mesma diretoria que depois de “atrasos” históricos tomados na Avenida Inajar de Souza, usou de armas de fogo para tirar a vida de duas pessoas da Mancha.
Tática de guerrilha, com aluguel de casa para passarem a noite antes do clássico, com barras de ferro, revolver e capuz para esconder o rosto dos assassinos. Esquema arquitetado dentro da quadra de vocês.
“Humildade”nenhuma
“Procedimento” covarde
“Lealdade” sem caráter.
A Inajar de Souza foi a pólvora que acarreta todos os problemas que seguem até hoje. Vingança, rancor e ódio.
Não seguimos a cartilha da covardia que vocês seguem. A diretoria da Mancha não compactua com nenhuma atitude do nível que vocês sempre usaram historicamente.
A Diretoria de vocês hoje é marcada por não poder transitar tranquilamente pela cidade devido todas as merdas que foram feitas durante a atual e gestões anteriores.
Já a nossa diretoria transita pelos quatro cantos da cidade tranquilamente por saber que nunca se criaram em cima de falcatruas ou covardias.
A Diretoria atual de vocês é motivo de chacota no mundo das organizadas, afinal, ter um diretor homossexual que expôs o nome de vocês para todo Brasil devido a sua opção sexual e saiu pelas portas da frente sem nenhuma cobrança.
Sabe porque o termo SOMOS TORCIDA incomoda tanto vocês?
Porque vocês querem ser o que somos, porque vocês perderam o respeito e ideologia de torcida, porque entre vocês mesmo existe discórdia e a tal democracia corinthiana colocou no poder da ex-torcida pessoas sem essência de torcida.
As unicas pessoas que acreditam em vocês são os associados pós falcatrua/covardia da Avenida Inajar de Sousa.
Mas nós sabemos que essas mesmas pessoas vão deixar de acreditar quando vocês fizerem o que sempre fizeram e abandonar esses novos associados em uma situação adversa.
Reforçando o que aconteceu no últimos sábado: a diretoria da Mancha se coloca à disposição das autoridades. Estamos tranquilos e conscientes de que não houve embosca comanda por nossa liderança e que a policia faça o seu trabalho e prenda os envolvidos
Finalizando a nota, gostaríamos apenas de dizer que tudo que hoje é colhido e a dimensão causada entre as duas entidades, é fruto da covardia que vocês fizeram em 2012 na Avenida Inajar. E, infelizmente, quem acaba sangrando no meio dessa guerra são os associados comuns.
Diretoria
Mancha Alviverde – SOMOS TORCIDA

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