Massacre do Carandiru: operação Sino e anúncio de oito mortos

O barulho que ecoava de dentro para fora assustava os familiares e os PMs que estavam sob ordens de minarem uma possível invasão ao presídio. As primeiras ambulâncias levando presos feridos começam a deixar as dependências do Carandiru rumo ao Pronto Socorro de Santana, também na zona norte, poucos quilômetros dali. Do lado de fora chegavam informações desencontradas a familiares e jornalistas. Sem mencionar feridos, o número que se tem é de oito mortes. É momento então da retirada da Tropa de Choque, que começa a deixar o local às 17h. A ação de controle de motim terminou. Agora resta a operação Sino, rescaldo dos focos de incêndio, contagem dos mortos, encaminhamento de feridos a hospitais.

Corpos jogdos no grêmio recreativo do Carandiru Foto: Folha Imagem/Arquivo
Corpos jogdos no grêmio recreativo do Carandiru Foto: Folha Imagem/Arquivo

Uma determinação é clara. Civis estão proibidos de entrar no prédio.

Aquela sexta-feira terminaria com o número irreal de oito mortes, sendo oito presidiários socorridos ao PS de Santana. A manhã de sábado, 3 de outubro, mal tinha iniciado e novos protestos aconteciam na porta do Carandiru. Parentes de presos que tinham adormecido na rua e outros que acordaram bem cedo para estarem ali, faziam de tudo para obter informações do que ocorrera no dia anterior. Vários repórteres chegavam ao local com o amanhecer do dia. Suas pautas eram levantar o que realmente aconteceu e principalmente buscar informações verídicas sobre os fatos. Circulava em toda a cidade relatos que as oito mortes eram uma farsa e que teriam mais vítimas. As dúvidas vinham da grande quantidade de “rabecões”, ou seja, carros do IML nas cores preto e branco que entravam e saiam a todo instante na madrugada. Naquela tarde de sábado era data de eleições municipais no país. Em São Paulo a disputa estava acirrada, inclusive com candidatos aliados ao partido do governador; mencionar qualquer tipo de dado ou notícia referente a uma desastrosa ação da PM poderia acarretar em prejuízos.

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