Banco Itaú anuncia demissão em massa de funcionários; entenda o motivo

O Itaú Unibanco demitiu cerca de mil funcionários que atuavam em regime híbrido ou home office, conforme informou o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (8) e atingiu trabalhadores das unidades do Centro Tecnológico, CEIC e Faria Lima.

As demissões ocorreram após um período de seis meses de monitoramento remoto das atividades dos funcionários, com base em dados captados diretamente das máquinas utilizadas no trabalho. O banco identificou longos períodos de inatividade, em alguns casos superiores a quatro horas, e alegou baixa aderência ao regime de trabalho remoto como justificativa para os desligamentos.

O Sindicato criticou duramente esse critério adotado pela instituição, apontando que ele não considera a complexidade do trabalho bancário, possíveis falhas técnicas, questões de saúde e a organização das equipes. Também houve críticas à forma como as demissões foram conduzidas: foram feitas em massa, sem qualquer advertência, diálogo prévio ou possibilidade de defesa dos funcionários demitidos.

A presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, destacou o contraste entre as demissões e o excelente resultado financeiro do Itaú, que alcançou lucro superior a R$ 22,6 bilhões no primeiro semestre de 2025. Ela ressaltou que os avanços tecnológicos poderiam proporcionar melhores condições de trabalho, em vez de cortes de empregos.

Itaú já havia feito demissões anteriormente

Nos últimos 12 meses, o banco já havia cortado mais de 500 vagas, reduzindo seu quadro para aproximadamente 85.775 empregados. O tema das demissões no home office deve ser levado à Justiça do Trabalho, com discussão sobre a legalidade do uso de telemetria para justificar desligamentos.

Esse movimento também se insere em um contexto maior, em que várias empresas globais reavaliam a produtividade em regimes remotos, buscando maior controle e incentivo ao retorno ao trabalho presencial, levando debates sobre qualidade de vida, flexibilidade e direitos trabalhistas.