Famoso grupo brasileiro de padarias decreta falência e demite mais de 100 trabalhadores
Um grupo tradicional de padarias em Santa Catarina, conhecido como Grupo Bokitu’s, teve suas atividades interrompidas com a decretação de falência, afetando mais de 100 empregados diretos e diversos profissionais indiretos envolvidos na distribuição e transporte dos produtos. As seis empresas do grupo, sediadas principalmente em Concórdia, fecharam suas portas, deixando de distribuir pães e confeitos que eram vendidos em vários pontos do estado, especialmente em atacados do litoral.
A falência foi decretada pela Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais de Concórdia após constatar-se a paralisação das operações, dificuldades para acessar os sistemas contábeis e suspeitas de desvios de bens. O processo, que tramitava na Justiça desde março de 2023, apresentou pedido de recuperação judicial, porém que não obteve êxito. Em 2025, o juiz solicitou documentos para avaliar o cumprimento do plano de recuperação, mas a situação financeira não evoluiu.
Empresas envolvidas que acabaram fechando as portas
As empresas envolvidas incluíam Padaria Pinherus Ltda., Padaria e Confeitaria McCecilia Ltda., Panificadora e Confeitaria Hellô Ltda., Clade Comércio de Alimentos Ltda., Bokitu’s Padaria, Confeitaria e Lancheria Ltda., e Albatroz Investimento e Participação Empresarial Ltda. Durante a ação judicial, houve apreensão de bens e foi recomendada a transformação da recuperação em falência, concordada pelo Ministério Público que avaliou a inviabilidade da recuperação do grupo.
O Grupo Bokitu’s informou que os créditos trabalhistas foram pagos e que houve bloqueio de acesso aos sistemas de gestão contábil por parte da empresa responsável. Negaram envolvimento em crimes e desvios de bens, mas confirmaram alterações contratuais sem autorização judicial, as quais solicitaram que fossem desconsideradas, mantendo-se a composição original do contrato social.
O Sindicato da Indústria Alimentícia de Concórdia (Sintrial), representado por Carlos Orlando dos Santos Junior, destacou a cobrança de regularização de pendências trabalhistas, como vales-alimentação e FGTS, e relatou manifestações dos trabalhadores devido à falta de pagamento, que recebiam em média entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil. Informou também sobre a venda do grupo para outra empresa, que assumiu com dificuldades como atrasos e falta de matéria-prima.
O sindicato acredita que a Justiça poderá bloquear os bens dos antigos proprietários e promover um leilão para quitar as dívidas trabalhistas e com fornecedores, buscando amenizar o impacto da falência sobre os trabalhadores e o mercado local.