Planeta vizinho da Terra está escolhendo, segundo pesquisa

O planeta Mercúrio, o menor e o mais próximo do Sol no nosso sistema solar, está encolhendo, um fato conhecido pela ciência há alguns anos, mas que agora ganhou um método mais preciso para medir essa retração. Pesquisadores da Universidade da Geórgia publicaram um artigo propondo um novo método para calcular o encolhimento do planeta, que ocorre à medida que Mercúrio perde calor internamente ao longo de seus 4,5 bilhões de anos de existência.

Pesquisa revelou que o planeta Mercúrio está encolhendo

Até então, as pesquisas utilizavam as formas elevadas da topografia (falhas) para medir essa contração global, de forma semelhante a observar as rachaduras em um pão de queijo ao ser assado. No entanto, não havia consenso sobre o número de falhas a serem consideradas, com estimativas anteriores variando amplamente entre 1 e 7 quilômetros de mudança no raio do planeta.

A abordagem dos cientistas Stephan Loveless e Christian Klimczak foi diferente: eles escalaram estatisticamente a mudança observada na maior falha para toda a população de falhas identificadas na superfície de Mercúrio. Analisando três conjuntos de dados com diferentes números de falhas, desde 100 até quase 6 mil, eles concluíram que a retração do planeta está entre 2 e 3,5 quilômetros, independentemente do conjunto utilizado.

Em uma etapa complementar, os pesquisadores cruzaram essas estimativas com dados de outros processos que contribuem para o resfriamento do planeta, chegando à conclusão de que Mercúrio encolheu aproximadamente entre 2,7 e 5,6 quilômetros desde sua formação.

Além de fornecer uma estimativa mais confiável para Mercúrio, a metodologia desenvolvida pelos pesquisadores pode ser aplicada para estimar deformações tectônicas em outros corpos planetários que apresentam populações de falhas observáveis, ampliando seu potencial para estudos além do nosso sistema solar.

A compreensão desse processo enriquece o conhecimento sobre a história geológica e a dinâmica interna de Mercúrio, um planeta que enfrenta condições extremas: temperaturas que variam de 430 °C no lado ensolarado até -180 °C na face noturna, calor intenso, radiação e vento solar. A exploração mais detalhada do planeta foi possível graças à missão MESSENGER da NASA, que entre 2011 e 2015 mapeou a superfície mercuriana em alta resolução, fornecendo dados fundamentais para entender sua composição, geologia e evolução.