Por que o horário de verão não existe mais? Entenda

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) alertou para a necessidade crescente de usinas termelétricas para atender à demanda por energia no Brasil nos próximos cinco anos. Segundo o Plano da Operação Energética (PEN 2025), há uma previsão de aumento de 14,1% na carga de energia até 2029, o que exigirá maior flexibilidade no sistema elétrico, especialmente nos horários de pico, quando há maior consumo.

Uma das alternativas apontadas pelo ONS para ajudar a aliviar a pressão sobre o sistema é a retomada do horário de verão, que foi suspenso em 2019 após 88 anos de aplicação. Originalmente, o horário de verão adiantava os relógios em uma hora entre o primeiro domingo de novembro e o terceiro domingo de fevereiro, aproveitando melhor a luz natural e reduzindo a necessidade de iluminação artificial no início da noite. A medida era adotada em 11 estados e no Distrito Federal.

Motivo da decisão tomada pelo governo federal

Na época da suspensão, o governo federal justificou a decisão com a mudança nos hábitos de consumo de energia pela população, que passou a utilizar mais eletricidade no período da tarde, reduzindo a eficácia do horário de verão na economia energética. Estudos realizados pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) indicaram que o horário de verão já não produzia os resultados esperados.

Entretanto, o aumento da participação das fontes de energia renováveis intermitentes, como solar e eólica, trouxe novos desafios para o equilíbrio do sistema. Essas fontes têm menor produção no final da tarde e início da noite, justamente nos horários de pico entre 18h e 19h, o que aumenta a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que são mais caras e poluentes, refletindo em tarifas elevadas.

Diante desse cenário, o horário de verão volta a ser discutido como alternativa para reduzir a demanda nesses períodos, diminuindo a pressão sobre o sistema elétrico e o custo da energia. Em 2024, a retomada do horário de verão ganhou apoio de autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin, que defendeu a medida para conter custos.

Embora em outubro de 2024 o governo tenha decidido não reimplantar o horário de verão devido ao bom nível dos reservatórios hidrelétricos, o tema permanece em debate, especialmente diante da previsão de forte crescimento da demanda energética.

O diretor-geral do ONS, Márcio Rea, ressaltou a importância de fontes de energia flexíveis e controláveis para garantir o equilíbrio entre oferta e demanda, especialmente durante as chamadas rampas de carga, quando a demanda cresce rapidamente no fim do dia.

Além do horário de verão, o ONS recomenda investimentos em hidrelétricas e o aumento do uso de termelétricas para assegurar a segurança e a estabilidade do sistema elétrico brasileiro nos próximos anos, enfrentando os desafios da transição energética e do crescimento do consumo.