Salário de profissionais LGBTQIAPN+ é muito menor que de heterossexuais, diz pesquisa

Uma pesquisa recente revelou que profissionais LGBTQIAPN+ recebem, em média, 12% menos do que seus colegas heterossexuais e cisgêneros, evidenciando uma desigualdade salarial significativa ainda presente no mercado de trabalho brasileiro. Essa disparidade é parte de um quadro mais amplo de desigualdades que atingem diversos grupos vulneráveis, incluindo mulheres e pessoas negras.

O cenário da desigualdade salarial no Brasil também é marcado pelo fato de que as mulheres ganham, em média, 20,9% a menos que os homens em instituições com mais de 100 funcionários, segundo o Relatório de Transparência Salarial de 2024. Mulheres negras, especificamente, recebem salários ainda menores, chegando a ganhar cerca de 47,5% do que homens não negros – uma diferença que representa uma grande disparidade interseccional. Em cargos de direção e gerência, essa desigualdade é ainda mais acentuada, com mulheres ganhando apenas 73,2% do salário dos homens nessas mesmas funções.

População LGBTQIAPN+ enfrenta desafios no mercado

Esse cenário expõe desafios estruturais no mercado de trabalho, onde critérios salariais e barreiras sociais influenciam a remuneração de diversos grupos, como trabalhadores LGBTQIAPN+, mulheres, negros, indígenas e pessoas com deficiência. Mesmo com o aumento da participação feminina no mercado, a equidade salarial dispara enquanto só cresce. Políticas públicas importantes, como a Lei da Igualdade Salarial, sancionada em 2023, impulsionam mudanças, mas a desigualdade persiste.

As consequências dessa disparidade vão além do aspecto individual, afetando também a economia nacional. O pagamento igualitário poderia injetar bilhões na economia; estima-se que, se as mulheres recebessem salários equivalentes aos homens, a massa salarial total aumentaria cerca de 10%, representando um acréscimo de R$ 95 bilhões em 2024. Da mesma forma, a Organização Internacional do Trabalho e o Banco Mundial indicam que a igualdade de gênero no mercado de trabalho poderia impulsionar o crescimento do PIB global em mais de 20%.

Diante desse contexto, têm surgido iniciativas como o “Movimento pela Igualdade no Trabalho”, que busca mobilizar empresas e entidades em prol da equidade salarial e da inclusão. Além disso, a transparência nos processos e a adoção de metas de diversidade nas organizações são apontadas como caminhos fundamentais para reverter as desigualdades históricas.