Seis instituições financeiras foram bloqueadas do Pix pelo Banco Central

O Banco Central do Brasil (BC) suspendeu cautelarmente mais três instituições financeiras do sistema Pix, elevando para seis o total de entidades bloqueadas em meio a investigações sobre um esquema de desvio milionário envolvendo a intermediadora C&M Software.

As instituições recentemente suspensas são Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash e S3 Bank, que se juntam às já bloqueadas Transfeera, Soffy e Nuoro Pay. Todas estão sob investigação para apurar possível envolvimento no repasse de recursos desviados da C&M, empresa que atua como intermediadora entre fintechs e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), incluindo o Pix.

O golpe, considerado a maior invasão de dispositivo eletrônico já registrada no país, resultou no desvio estimado de mais de R$ 1 bilhão, sendo R$ 541 milhões apenas de uma única cliente da C&M, conforme apontado pela Polícia Civil de São Paulo.

Inicialmente tratado como um ataque hacker, o caso ganhou nova dimensão após a prisão de um funcionário da C&M que confessou participação no esquema fraudulento. As investigações indicam que o incidente decorreu do uso de técnicas de engenharia social para obtenção indevida de credenciais de acesso, e não de falhas tecnológicas nos sistemas da empresa.

A C&M Software, com sede em Barueri (SP), informou que não identificou vazamento de dados sensíveis de clientes, ressaltando que o problema foi resultado da manipulação humana. O principal banco afetado foi o BMP, fintech que oferece contas digitais e serviços financeiros para empresas, mas não houve impacto direto nas contas dos clientes finais do BMP, segundo a instituição.

A suspensão das instituições financeiras no Pix, prevista pelo artigo 95-A da Resolução nº 30/2020 (a “lei do Pix”), tem duração máxima de 60 dias e visa proteger o funcionamento regular do sistema de pagamentos instantâneos, bloqueando participantes cuja conduta represente risco ao arranjo de pagamentos. Durante a suspensão, as empresas e seus clientes ficam impossibilitados de usar o Pix, o que pode impactar suas operações financeiras.

Caso segue em investigação pelo Banco Central

O Banco Central continuará a investigação para esclarecer o envolvimento dessas instituições no esquema de fraude e avaliar eventuais responsabilidades. Enquanto isso, a C&M Software teve sua participação no Pix parcialmente restabelecida, podendo operar em dias úteis, das 6h30 às 18h30, desde que implemente medidas reforçadas de monitoramento contra fraudes e limites transacionais.

Especialistas em direito financeiro destacam que, apesar da responsabilidade pela fraude recair sobre os intermediadores e as instituições envolvidas, as vítimas têm direito ao ressarcimento integral dos valores desviados, conforme regras do Banco Central. Assim, espera-se que os bancos ou instituições financeiras parceiras assumam os prejuízos decorrentes do golpe.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Federal, por meio da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos (DCiber), que trabalham para identificar todos os envolvidos e evitar novos ataques ao sistema financeiro nacional.