Vizinhos de ocupação de sem-teto temem desvalorização do bairro

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O grupo de moradores sem-teto que invadiram no dia 10 de maio, um terreno na Avenida do Cursino, 5.100, no bairro do Parque Bristol, ainda permanecem no local. Mesmo com uma determinação judicial que autoriza a reintegração de posse, a medida ainda não foi tomada. Com pequenos barracos de madeira, envolto em lonas e fitas zebradas, no terreno de propriedade particular há também carros. Inclusive, essa é uma das grandes reclamações de vizinhos da ocupação. Através de comentários no Facebook, a reportagem do Infodiretas encontrou vários pedidos e solicitações de moradores. Uma moradora do bairro Vila Moraes, vizinho ao acampamento, diz que levanta cedo para trabalhar, e não tem um bom carro. “Levanto às 4h30 e não tenho carrão em minha garagem”, em clara alusão a alguns carros novos e até importados presentes no terreno. Outra reclamação se dá por conta das várias queimadas de arbustos e matos, que ocorre a todo momento. Em entrevista à Rádio Bandnews FM, um comerciante do bairro, disse temer uma possível desvalorização da região.

Pelas fotos enviadas à reportagem, dá pra se notar que o terreno é extenso, localizado numa parte alta da Avenida do Cursino, de onde se pode avistar alguns bairros da zona Sul e municípios do ABC. Também via Facebook, a reportagem localizou fotos da ocupação presente na página de um movimento social, que em seu site, diz lutar por políticas públicas e diretos básicos, como moradia e educação. O Infodiretas tentou contato, enviando um e-mail, ao endereço presente no site da associação de moradores, mas até a publicação da matéria ainda não havia recebido retorno*. De acordo com o coletivo, o terreno tem 3 mil m². Segundo a Subprefeitura Ipiranga, responsável pela região, em nota, através da assessoria de imprensa, informou que “trata-se de invasão em área particular e estamos tomando todas as providências cabíveis no âmbito administrativo”. A PM também foi procurada, e através do comando do 46º Batalhão, responsável pela área, informou que ainda não foi notificada oficialmente sobre a reintegração de posse. Sobre o número de pessoas, “fica difícil estipular em razão da variação diária de frequentadores do local”.

*Nota da redação: Em um primeiro momento, a matéria vinculou o nome de uma associação que supostamente participava da ocupação. A reportagem chegou e enviar um e-mail, que não foi respondido. Através de um texto no site da associação, a mesma afirma não participar da ocupação, por esse motivo, o nome foi retirado da matéria.