Fenômeno climático deve trazer chuva para o Brasil nas próximas semanas
Uma grande mudança climática está se aproximando do continente americano e do Oceano Atlântico, trazendo implicações importantes para o Brasil e o Atlântico Norte nas próximas semanas. A Oscilação Madden-Julian (OMJ), um fenômeno climático intrassazonal que atua em períodos de 30 a 60 dias, entrará em sua fase ativa no fim de setembro. Isso resultará em um padrão de convecção atmosférica mais intenso, ou seja, maior movimento ascendente do ar, que favorece a formação de tempestades e chuvas.
No Atlântico Norte, essa mudança acontecerá justamente em um período crítico da temporada de furacões, aumentando a probabilidade de desenvolvimento de ciclones tropicais, principalmente no Caribe Ocidental e no Golfo do México. Até agora, o que predominava era a subsidência do ar, um movimento descendente que inibiu a formação de tempestades e deixou a temporada menos ativa. Com a chegada da fase ativa da OMJ, esse cenário deve se reverter, elevando os riscos para a região.
Fenômeno deve trazer instabilidade no Brasil
Na América do Sul, o efeito da OMJ será perceptível principalmente no Brasil, com a instabilidade atmosférica aumentando em grande parte do território nacional. Regiões do Centro-Oeste, Sudeste e do Sul da Amazônia que enfrentavam a seca típica do inverno e início da primavera verão um retorno das chuvas, algumas áreas sem registro significativo de precipitação por mais de 100 dias, como Brasília, que não teve chuvas relevantes desde maio, poderão finalmente ter seus primeiros volumes de água. As chuvas serão geralmente irregulares e em forma de pancadas, podendo ser fortes e acompanhadas de temporais localizados.
No Sul do Brasil, que historicamente não possui temporada seca definida, setembro tende a ser período de maior pluviosidade, e a OMJ intensificará essa tendência, com probabilidade de volumes elevados, especialmente entre 19 e 27 de setembro em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Além disso, a oscilação aumenta a possibilidade de ciclones extratropicais, ou tempestades ciclônicas não tropicais, atingindo o Sul do país até o final do mês.
A Oscilação Madden-Julian é caracterizada por grandes “pulsos” de convecção que se movem de oeste para leste ao longo da faixa equatorial, afetando não só áreas tropicais, mas também latitudes médias. Esses pulsos alternam fases úmidas, com maior formação de nuvens e chuvas, e fases secas, de subsidência, com tempo mais estável e seco. No Brasil, a OMJ modula eventos climáticos importantes como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), reforçando ou suprimindo o regime de chuvas dependendo da sua fase.
Além disso, a OMJ interage com fenômenos maiores, como El Niño e La Niña, podendo reforçar ou amenizar seus efeitos no clima do Brasil, modificando padrões regionais de precipitação. Assim, a expectativa para os próximos dias é de um cenário climático bastante dinâmico, com ruptura do padrão seco e retorno gradual da chuva em quase todo o país, com risco localizado de temporais, marcando uma grande reviravolta no clima brasileiro para o final de setembro e início de outubro.