Um terço dos brasileiros faz dívida no cartão de crédito por esse motivo, diz pesquisa
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Offerwise Pesquisas, revela que cerca de um terço (28,7%) dos consumidores brasileiros fez compras em nome de terceiros no último ano, sobretudo por meio do uso do cartão de crédito (20,3%). Essa prática tem se tornado comum devido à dificuldade que muitos enfrentam para acessar crédito formal, seja por esgotar o limite do próprio cartão, negativações ou falta de histórico financeiro, fatores que levam à informalidade e ao endividamento entre amigos e familiares.
Os principais motivos apontados para utilizar o nome de outra pessoa são estouro do limite do cartão ou cheque especial (24,2%), nunca ter tentado crédito antes (24,4%) e reprovação de empréstimos (17,6%). Em geral, as dívidas são contraídas para comprar itens essenciais, como supermercado (25%), produtos para os filhos (16,9%) e até mesmo para pagar dívidas existentes (18,3%). A maioria dos entrevistados recorre a pessoas do convívio próximo, como cônjuges (25,6%), irmãos (17,9%) e pais (17,6%), seguido por amigos (17,4%) e outros parentes.
Especialistas alertam para os riscos financeiros e afetivos dessa prática, destacando que o empréstimo informal do nome pode agravar o descontrole financeiro da pessoa que o faz, além de gerar conflitos pessoais caso a dívida não seja quitada. É recomendado refletir cuidadosamente sobre a capacidade de pagamento antes de assumir responsabilidades dessa natureza. Quando o devedor não paga, a pessoa que emprestou o nome pode ser acionada judicialmente e arcar com o prejuízo.
Nem todos os casos geram dívida
Apesar disso, a pesquisa aponta que 84,5% dos consumidores que fizeram compras no nome de terceiros afirmam manter as parcelas em dia, evidenciando que nem todos os casos estão associados a má conduta financeira. Para evitar a necessidade de recorrer ao crédito informal, especialistas recomendam planejamento financeiro cuidadoso, cortes de gastos desnecessários e busca por fontes alternativas de renda, como empreendedorismo e capacitação profissional, visando maior autonomia e segurança econômica.
A pesquisa foi realizada entre 2 e 10 de janeiro de 2025, com 643 participantes das capitais brasileiras, com margem de erro de 3,86 pontos percentuais e confiança de 95%, refletindo um panorama relevante das dificuldades e comportamentos financeiros atuais dos brasileiros diante do acesso restrito ao crédito convencional.